terça-feira, 11 de setembro de 2012

Como o Brasil se tornou um país de gordinhos?

 
 
Os dados assustam: 50% da população brasileira está com sobrepeso. Dessas pessoas, 16% têm obesidade
 
São Paulo – O brasileiro se orgulhava dos seus pratos típicos, das mesas cheias de frutas e dos corpos malhados correndo nas orlas. Isso é passado. Hoje a garota de Ipanema tem sobrepeso e come rapidamente um lanche de fast food enquanto trabalha.
 
Não que seja muito difícil estar com sobrepeso. Basta estar com um índice de massa corporal (IMC) acima do 25. Para se ter uma ideia, uma mulher que meça 1,61m e pese 65kg já está com sobrepeso, de acordo com os padrões médicos adotados pela Organização Mundial de Saúde. Um homem que meça 1,73m e pese 75kg, também. Para obesidade, o IMC é igual ou maior a 30.
 
Mas o que gerou essa mudança? Há explicações óbvias, como a de que o país está simplesmente acompanhando uma transição global: “Há um processo global de sair de um perfil de desnutrição para o de excesso de peso”, explica a médica Deborah Malta, diretora de Análise de Situação de Saúde do Ministério da Saúde.
 
Ela conta que a mudança na alimentação e o sedentarismo são as grandes causas do excesso de peso do brasileiro (e de qualquer nacionalidade). “Apenas 30% da população brasileira pratica atividades físicas com regularidade. 16% da população é completamente inativa – não se movimenta nem para pegar um ônibus ou fica o dia todo sentado”, diz a médica.
 
Outras explicações para a gordura do povo brasileiro são menos óbvias, mas mais aparentes para quem olhar as cidades do país. “Há um problema no desenho das cidades brasileiras”, conta Deborah, “Elas não foram criadas pensando nas pessoas, mas sim nos carros”.
 
É só pensar que, enquanto no Brasil metade da população é “gordinha”, na Dinamarca (um dos países com mais ciclovias no mundo), esse índice cai para 37%. “Incorporar atividade física no cotidiano, mesmo para quem não tem tempo, faz diferença. Investir em ciclovias, transporte público e adequar a cidade à mobilidade das pessoas é importante”, diz a médica.
 
A alimentação do brasileiro, antes balanceada, típica e feita em casa, também mudou muito. O médico Clóvis Francisco Constantino, presidente da Associação de Pediatria do Estado de São Paulo, não vê problemas em responsabilizar a correria do dia a dia e a “forte publicidade das praças de alimentação” pelas mudanças.
 
“O brasileiro não tem tempo hoje para voltar para casa na hora do almoço e comer bem e aí é bombardeado por propagandas e ofertas de comidas gordurosas ou sedentarismo”, conta.
 
Também não ajuda o fato de os lanches serem fáceis, rápidos e baratos. É possível, por exemplo, ligar para o McDonalds e receber em casa e em questão de minutos o sanduíche mais calórico do cardápio (o “Angus Deluxe”, que tem 863 calorias) por menos de 15 reais.
 
Custo - O sobrepeso em si não é uma doença, mas o excesso de peso está relacionado a outras doenças crônicas não transmissíveis (como pressão alta e diabetes, por exemplo). Essas doenças, sim, têm um custo alto para o governo.
 
“O Banco Mundial fez um levantamento afirmando que o custo dessas doenças seria o equivalente a cerca de 1 a 2% do PIB do país”, afirma Deborah. Não é pouca coisa: dá entre 41,4 bilhões e 82,8 bilhões de reais no Brasil.
 
“Sabemos também que há uma relação entre obesidade e faltas no trabalho ou menor produtividade, embora isso não seja quantificado”, diz.
 
 
Fonte: Revista Exame

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Parar de fumar engorda?


 
Veja a explicação de um especialista sobre esse assunto

A maior preocupação do fumante está relacionada ao ganho de peso que pode ocorrer com a cessação do tabagismo. Esse argumento faz com que muitos desistam da tentativa de se tornar um ex-fumante. Mas será que isso é um mito ou verdade?

O especialista em tratamento para obesidade com o uso do Balão Intragástrico, Bruno Sander, explica que o paciente, às vezes, devido à ausência da nicotina fica ansioso passando a comer mais e com isso ganho peso. “Fumantes costumam morrer mais cedo e mais magros. Também é comum ver pessoas que engordaram após largar o cigarro ou que dizem continuar a fumar para não ganhar peso. Fumar não implica ficar magro, mas muitas pessoas dizem que não param de fumar por medo de ganhar peso”.

O médico conta que já há estudos que levantam a possibilidade de desenvolver tratamentos com base na nicotina para ajudar pessoas a parar de fumar e, ao mesmo tempo, evitar a obesidade e outros distúrbios. “Pesquisadores descobriram que a nicotina ativa um conjunto específico de circuitos nervosos centrais e que aumentam sua atividade, ou seja, a nicotina ativa células que sinalizam ao corpo que o indivíduo já comeu o suficiente”, esclareceu.

Os malefícios do cigarro para o corpo são muitos, com o aparecimento de diversas doenças desde um infarto a cânceres de pulmão, boca, laringe, esôfago e outros. Para que o ex-fumante não tenha medo de começar a ganhar a peso depois que abandonar o cigarro, o especialista recomenda um acompanhamento nutricional e até mesmo psicológico, caso seja necessário.

Além disso, os benefícios que o organismo ganha quando uma pessoa para de fumar são inúmeros. “Após um ano sem fumar, o risco de uma doença cardíaca cai pela metade. Após cinco anos diminuem as chances de uma úlcera ou câncer de pulmão em 50% e o risco de ter um derrame é igual ao de uma pessoa não fumante. 15 anos depois sem fumar, a possibilidade de sofrer um infarto será igual ao de uma pessoa que nunca fumou e outras doenças também chegam a esse patamar”, garante Sander. 
 
Informações:
Clínica Sander
Contatos: (31) 8508-5000 ou 3588-1155